Outras Trilhas

“Nova”, GNU/Linux a la cubana

Abril 29, 2008 · No Comments

Neste último sábado, os cubanos lançaram uma nova distribuição de GNU/Linux na FLISOL 2008. “Nova” foi desenhada por especialistas da Universidad de Ciências Informáticas (UCI), escola de muitos dos hackers locais. Nos últimos anos, o governo cubano tem apoiado o desenvolvimento de sistemas e aplicações baseadas em software livre, um dos fatores que viabilizou o projeto. Segundo o jornal oficial Juventude Rebelde:

“Este movimiento ha ido ganando fuerza en el territorio nacional, donde ya existe una importante comunidad de adeptos, que integra a miembros de la Universidad de Ciencias Informáticas, los Joven Club de Computación y Electrónica, ingenieros, estudiantes y usuarios de la informática en general, quienes protagonizaron esta edición de FLISOL”.

No entanto, como se sabe, a ilha ainda está repleta de restrições ao uso da Internet e à liberdade de expressão, como mostra o blog Potro Salvaje. Nessa Cuba em transição, “Nova” é um dos sinais positivos sobre o caminho que o país parece querer trilhar.

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Na trilha sonora de Cuba

Abril 29, 2008 · 1 Comment

Tem Buena Vista, Orishas… y mucho más. Como diz o guitarrista diz Ry Cooder, produtor do fenômeno Buena Vista Social Club, “em Cuba, a música flui como um rio.” E ele parece ter razão. Tudo o que tenho lido sobre a nova cena musical cubana aponta para experiências musicais diversas e surpreendentes.

A banda Interactivo, comandada pelo guitarrista Robertico Carcassés, é um dos melhores exemplos do que há de novo na terra de Benny Moré e Celia Cruz. O estilo? Uma combinação vibrante de jazz, rock, funk, rumba e o que mais vier. Nas letras, a realidade de Cuba e um pouco da inconformidade da nova geração de cubanos com o regime dos Castros.

Embarco para lá nesta quarta-feira com a certeza de que o personagem principal da viagem será a trilha sonora.

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Festival da instalação de software livre

Abril 25, 2008 · No Comments

Sábado é dia de Festival Latino-Americano de Instalação de Software Livre (FLISoL 2008). O evento, que acontece desde 2005, será realizado em 18 países da região e tem como objetivo promover o uso do “software libre”. A festa da instalação inclui Brasil, México e….Cuba!

Se você quiser participar da edição brasileira, leve sua máquina a um dos endereços do festival em sua cidade. Antes de ir para festa, não deixe de verificar se é necessário fazer inscrição pela Internet e de providenciar um backup de seus arquivos.

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Na Cidade do México, você…(Parte 1)

Abril 23, 2008 · 2 Comments

- Almoça depois das 15 horas

- Toca a buzina quando o semáforo fica verde

- Descobre que há um, dois, três festivais de música acontecendo….na mesma hora

- Usa o triplo do tempo para fazer 1/3 do trajeto de volta para casa

- Devora engordurados tacos al Pastor no meio da rua…. ao som de Rick Ashley (por que eles gostam tanto dos anos 80?)

- Sempre encontra alguém que conhece o lugar que você estava buscando. E, quando você finalmente chega ao destino indicado, descobre que esse alguém não tinha a menor idéia do que estava dizendo…

- Descobre que há ciclistas pelados no meio da rua

- Encontra uma galeria de arte pos-pos-pos-moderna no bairro colonial de San Angel. E dá uma de penetra….

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Microsoft e Google: a história se repete. Agora, no espaço

Abril 21, 2008 · No Comments

A Microsoft anunciou que lançará nas próximas semanas o Worldwide Telescope, um telescópio virtual capaz de mostrar mais de 1,2 milhões de galáxias. É um serviço semelhante ao Google Sky, no ar desde agosto passado. Os dois sistemas são alimentados por dados de telescópios e satélites como Hubble e Spitzer Infrared.

Mas as semelhanças terminam aí. Da criação ao tipo de distribuição, os dois sistemas possuem diferenças que refletem claramente a postura das duas empresas em relação ao conhecimento.

Como o Gmail, o Sky foi criado por funcionários durante o tempo livre que o Google oferece a eles para o desenvolvimento das próprias idéias. Agora, elas são compartilhadas, sem custos adicionais, pelos interessados em astronomia em todo o mundo. Pelo menos até esse momento, essa é a proposta.

O Worldwide Telescope é resultado de um investimento da Microsoft e será usufruído pelos usuários do Windows. A empresa está de olho em novos nichos de mercado e já planeja criar uma versão para profissionais.

“Se há uma coisa que é universal é o céu e o espaço”, disse Lior Ron, gestor do produto do Google Sky, ao Washigton Post.

Décadas atrás, o conhecimento na área de software também era livre e universal. Até o surgimento da lógica de mercado imposta pela Microsoft.

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No México, líder de movimento social é libertado: significados e expectativas

Abril 20, 2008 · No Comments

Aqui no México, dezenas de pessoas estão presas por participar de manifestações políticas. Organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional têm acompanhado os casos dos “presos políticos” ou de consciência sem obter respostas satisfatórias por parte das autoridades mexicanas.

Em Oaxaca, onde ocorreu um dos mais violentos e significativos conflitos, não foi diferente. Em 2006, a cidade foi palco de uma onda de protestos organizada pela APPO, agrupamento de organizações do movimento social formada para depor governador do Estado Ulises Ruíz. Durante mais de seis meses de tensão, cerca de 20 pessoas morreram e outras centenas foram feridas e detidas.

Por isso, a libertação de Flavio Sosa, um dos principais líderes da APPO, é relevante. Ele havia sido acusado de formação de quadrilha, danos a propriedades e incêndio a diversos edifícios. Depois de ficar preso durante mais de um ano, foi libertado por falta de provas.

Sua liberação acontece em um momento em que os ânimos estão mais controlados na cidade. O que não significa que os problemas políticos e sociais tenham sido solucionados. A principal demanda do movimento social era retirar o governador Ulises Ruiz do poder. Hoje, ele continua comandando o Estado mesmo depois de todas as críticas recebidas por ter organizado a violenta repressão contra manifestantes. Além disso, as diversas demandas sociais também não ecoaram no gabinete estatal.

Lembrando também que foi nesse mesmo Estado que, há pouco mais de uma semana, foram assassinadas duas comunicadoras populares da comunidade indígena Trique. Elas trabalhavam numa rádio comunitária conhecida por fazer denúncias.

A liberação de Sosa tem um significado simbólico importante. Somente por isso, já valeria ser motivo de celebração não apenas pelos opositores políticos de Ruiz, mas também por todos aqueles contrários às violação de direitos humanos.

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Mais uma da cobertura “cosmética” sobre Cuba

Abril 18, 2008 · 2 Comments

Ao concluir a leitura da nota “EUA consideram que as reformas em Cuba são ‘cosméticas’” no site do jornal Estado de São Paulo, logo me veio a seguinte pergunta:

Alguém pode me dizer por que tem veículo que se dá ao trabalho de divulgar, desta forma, a opinião óbvia do governo dos EUA sobre as reformas em Cuba?

Não há dúvidas que as opiniões da Casa Branca são relevantes e devem ser incluídas quando o governo dos EUA decide falar ao microfone. Mas colocar essa opinião no título de uma matéria, sem análise, sem um contextozinho, parece demonstrar ingenuidade ou muita preguiça jornalística.

Então, é mais ou menos assim que funciona: enquanto a abertura de Cuba não for total, irrestrita e alinhada ao modelo de economia de mercado, os EUA vão classificar qualquer medida tomada por Raúl Castro de “cosmética.” Pronto: enquanto isso não acontece, os jornalistas podem economizar seu tempo e os leitores, sua valiosa atenção e paciência com esse tipo de informação.

Garanto: não faltam fontes preparadas para oferecer análise e informação qualificada sobre Cuba. Com posições contra ou a favor do regime de Fidel. O que sobra é falta de vontade de reformular a cobertura do assunto.

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Ahhhhhhhhh! A Internet desapareceu!

Abril 18, 2008 · 1 Comment

Você acorda, toma um café e, ao chegar ao seu trabalho, ainda com os olhos semi-cerrados, descobre: não há Internet. Liga para o pessoal da informática e, do outro lado da linha, uma voz trêmula responde:

- Sinto muito, mais estamos enfrentando um problema grave. A Internet nos deixou.

Com que essa terrível hipótese, que me causa ondas de calafrio, eu me pergunto: e o que viria depois?

Os criadores de South Park dão sua versão no episódio 6 da temporada 12. A histriônica cidadezinha acorda em pânico ao descobrir que a Internet desapareceu.

- “Não há Internet para descobrir porque não temos Internet”, diz um cidadão histérico no meio da multidào

- “Mas o que fazíamos para buscar informação antes da Internet”, indaga outro.

- “Televisão!!!!!!”

A multidão corre para o aparelho de TV e é surpreendida pelo comentário do âncora, um típico representante dos meios de comunicação tradicionais:

- Pedimos desculpas, mas não temos como divulgar a vocês as últimas notícias porque não temos Internet aqui no News 4. Voltaremos com informações sobre os últimos eventos quando tivermos a Internet de volta.

A família de Stan, os Marsh, decide então migrar para Califórnia em busca de uma vida melhor com conexão decente. Uma versão irreverente, ácida - e claro, hilariante - dos tempos digitais.

Creio que é possível baixar o episódio na rede. No site oficial e no Youtube, encontrei só a primeira parte. Mas com ela, já é possível dar boas (e nervosas) risadas.

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China e o desafio da “produção de idéias”

Abril 17, 2008 · 2 Comments

A estréia de Outros relatos é de Steven Yuen-Pak Liu, amigo que conheci durante o mestrado na UEA. Steve nasceu e cresceu na Inglaterra mas, como o nome sugere, suas origens estão na China. Concluiu seus estudos no sistema de ensino britânico: é formado em Matemática e Computação e tem um mestrado em Estudos de Desenvolvimento pela University of East Anglia. Hoje, está participando de um projeto coordenado por uma ONG que faz parte dos esforços do governo chinês de melhorar a qualidade de educação e fomentar a “produção de novas idéias”.

Ele trabalha em Yinjialin, localizada na província de Shandong, a mais populosa da China. A vila tem 1500 habitantes. A maioria da população é formada por agricultores que não tem conseguido levantar recursos com suas terras.

Atualmente, dá aulas de informática para adultos. Depois de saber, via Gtalk, de sua história, pedia a ele que enviasse algumas linhas sobre sua experiência. O resultado é o texto que você vai ler agora:

“Trabalho para uma pequena organização não governamental chamada Rural China Education Foundation, cujo objetivo é o de promover um ambiente mais aberto, com método pedagógico centrado no aluno, no sistema de ensino chinês. É método pedagógico focado nas necessidades do aluno, de colocar o aluno em primeiro lugar e pedir ao professor para se adaptar às necessidades do aluno, e não o contrário.

Trata-se de uma abordagem desconhecida na China, já que a regra é aprender “fatos” dos livros didáticos e provar o próprio valor por meio do teste pontuação. Isso não surpreendente. Afinal, a China foi o berço da competitivo exame escrito (por meio do antigo sistema imperial, em que o ingresso no serviço civil exigia muitos anos de estudo como forma de passar em um rigoroso exame). A equação “teste de pontuação = sucesso” está profundamente enraizada na psique chinesa.

No entanto, os tempos estão mudando. E a China também. As reformas instituídas pelo ex-líder do Partido Deng Xiaoping já abriram a China para o mundo exterior. Agora, o país concorre abertamente tanto na produção de bens como na produção de idéias.

O governo chinês já percebeu que está faltando aos estudantes do país esse último elemento: a produção de idéias. Embora os métodos tradicionais de aprendizagem foram bons o suficiente para criar pessoal competente capaz de realizar tarefas de um trabalho nos setores bancário, de TI, finanças e outras indústrias, não os prepara para ter pensamento crítico e criatividade para produzir novas idéias. E como qualquer estudante de história sabe, a inovação e a tecnologia são os verdadeiros motores do progresso.

Conseqüentemente, em 1998, o governo introduziu a Reforma na Educação Básica que, através da redução dos encargos financeiros e incentivos a realização de exame como forma de “melhorar a qualidade do ensino”. “Qualidade de Ensino” é um termo traduzido do chinês de uma expressão que se refere a uma mudança de paradigmas do ensino em direção a um curriculo mais centrado no estudante. Os ideais por trás dessa reformas são sólidos mas, como acontece com muitas políticas na China, há falta de implementação.

É aí que nós entramos. Estamos trabalhando a longo prazo em diferentes escolas locais em todo o país para implementar o método centrado no aluno, estimulando a criatividade, o pensamento crítico e a independência de pensamento. Alguns podem pensar deste tipo de educação como “ocidentalizada” (eu mesmo tenho ouvido esse comentário muitas vezes trabalhando aqui). Mas creio que a sua origem é irrelevante. Eu a classifico como uma linha de ensino liberal já que, até onde eu saiba, o liberalismo não pertence a ninguém.

Quanto aos detalhes do meu trabalho, bem, eu dou aulas. Eu trabalho em uma escola da comunidade que foi criada no segundo andar de uma antiga escola primária (não há mais nenhum estudante já que a consolidação de muitas escolas na China levou a um menor número de escolas com maior número de alunos). Assim, não temos alunos regulares de segunda a sexta. Nós normalmente ensinamos as crianças nos finais de semana e os adultos durante a semana, no turno da noite.

Antes, eu ensinei matemática para um grupo de estudantes que abandonaram o ensino médio (isto é, infelizmente, é algo freqüente). Em razão do sistema baseado em exames, os alunos saem das escolas uma vez que fica claro que não vão paras as universidades. Eu usei também computadores para ensinar os alunos do ensino médio como criar desenhos animados usando flash.

Atualmente, estou dando aulas de informática para adultos. A maioria dos meus alunos nunca tinha tocado antes de um computador. Por isso temos de começar desde o início, ensinando como ligar as suas máquinas, usar o mouse, abrir pastas e programas, esse tipo de coisa. Além disso, existem outros desafios. Por exemplo, fazer com que um chinês aprendar a usar computadores requer o uso de Hanyu pinyin, um método de utilizar o alfabeto romano para esclarecer as pronúncia das palavras chinês. No entanto, Hanyu pinyin é um novo sistema e adultos de uma certa idade nunca aprendeu a usá-lo. Para eles, é um desafio aprender este novo sistema de escrever a sua própria língua. Recentemente eu percebi que, mesmo que um aluno tenha estudado Inglês ainda jovem (todos eles têm inglês em escolas de hoje), ele não sabe reconhece as letras maiúsculas! Isso, como vocês podem imaginar, é um problema quando se utiliza um teclado.

Eu ensino a eles os conceitos básicos uso de um computador (processamento de texto, a navegação na internet, e-mails, planilhas), mas sempre tentamos incorporar temas que são relevantes para eles. Por exemplo, os alunos muitas vezes perguntam quanto custa um computador, ou de onde vem nossos recursos ou quanto dinheiro temos. Digo a eles para a usar a Internet para encontrar o custo de um computador e todos os equipamentos da sala (as mesas, cadeiras, branco, projetor) e, em seguida, para incluir os dados em uma planilha. Depois que eles pesquisaram, eu ensine a eles como somar toda essa informação. Desta forma, eles encontram as respostas por si mesmo em vez de simplesmente recebê-las.

É importante em classe de informática encontrar elementos da vida real para ensinar o que pretendemos, pois é muito fácil usar computadores para propósitos inúteis e de de lazer. O número de viciados em Internet em Wangba (bares com Internet) aqui fala muito. E a história não é agradável. Eu incentivo os alunos a usar e-mails para escrever para o jornal de sua vila, use o processador de texto para escrever cartas para o chefe do comitê da vila e usar a Internet para encontrar informações que possam ajudá-los no seu trabalho (como checar das últimas cotações dos preços dos grãos).

Em última análise, o objetivo é fazer com que os alunos usem os computadores e a Internet como ferramentas de auto-aprendizagem. Com um computador conectado à rede em suas mãos, o mundo torna-se subitamente um lugar muito menor. Para um pessoa da área rural da China, o conhecimento adicional que pode ser obtida a partir da web pode diminuir o fosso de informação que é, em minha opinião, o verdadeiro motivo da área rural permanecer atrás das zonas urbanas”.

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Le Monde e a onda digital

Abril 15, 2008 · 2 Comments

A crise financeira que arrasta os meios tradicionais de comunicação em todo o mundo bateu em cheio na porta do tradicional jornal francês Le Monde. O grupo anunciou uma reestruturação que prevê venda de revistas e demissões de até 130 funcionários. Entre eles, estão cerca de 90 jornalistas, ou 25% da redação do veículo. Segundo a BBC, em 2007 o grupo Le Monde já havia vendido sua rede de jornais regionais. Chegou a aumentar sua tiragem. Mas, mesmo assim, o grupo amargou prejuízos de 20 milhões de euros (R$53 mi) em 2007 e acumula uma dívida que totaliza 150 milhões de euros (R$ 400 mi).

E como os funcionários reagiram? Ora, no melhor estilo francês: cruzando os braços em protesto. A edição de terça-feira, que circularia na tarde desta segunda-feira, não saiu as ruas e os jornalistas da versão eletrônica se recusaram a publicar as notícias que estariam nessa edição. É a primeira greve do Le Monde em 32 anos.

A notícia traz, novamente, o debate sobre o futuro da mídia tradicional e a expansão de novos meios de comunicação e expressão. Os problemas enfrentados pelo Le Monde são, novamente, um reflexo do avanço da Internet que, nos últimos anos, tem absorvido avidamente as receitas publicitárias. Alguns analistas também apontam a expansão dos blogs como uma das causas desse definhamento midiático. Segundo eles, muitos leitores têm preferido o tom assumidamente pessoal e opinativo dos blogs. Hoje, não é difícil encontrá-los - em formatos mais comportados - nos portais e versões eletrônicas dos veículos tradicionais.

Mas, no caso francês, também existem outras nuances. Em um artigo de 2005, Ignacio Ramonet do Le Monde Diplomatique já dizia o seguinte:

“as causas externas dessa crise são conhecidas. Uma delas é a ofensiva devastadora dos jornais gratuitos [...] Eles canalizam para si consideráveis fluxos publicitários, pois os anunciantes não distinguem o leitor que compra seu jornal daquele que não paga. Para resistir a essa concorrência – que poderia ser mortal e que já ameaça os semanários –, alguns jornais, principalmente na Itália e na Espanha, oferecem diariamente, por um pequeno custo adicional, um DVD, um CD, um livro, uma enciclopédia etc. Dessa maneira, confundem ainda mais sua identidade, desvalorizam o título que publicam e dão início a uma engrenagem diabólica da qual se ignoram as conseqüências.”

É sempre importante lembrar que, além dos fatores externos, há aspectos relacionados à própria atividade que ajudam a explicar parte do problema. Um deles é a crescente perda de credibilidade de muito desses veículos de comunicação junto aos seus leitores.

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